7.4.14

Sintagma flexional

Preciso de um
Superlativo absoluto
Sintético
Pra flexionar em grau
Um nome inflexível
Um nome sem flexão;

Porque as saudades
Que eu sinto de você
São tão, tão grandes:
Não mais cabem
Na palavra –
Cabem só
No coração.

29.1.14

Elegia

Ele perguntou amargamente, e ela respondeu ríspida e apaixonada, mas o vento levou suas palavras. E, sempre que ela respondia alguma palavra, o vento batia e a levava pra bem distante. E, assim, ela amava, mas não conseguia comunicar. Assim viveram, por anos e anos, o vento batendo e levando as palavras desesperadas dela. O coração dele continuava duro como pedra.

Em algum lugar, longe, longe, um poeta solitário recebia palavras de amor, trazidas pelo vento. Escrevia-as com caneta-tinteiro num guardanapo meio sujo de café, para tentar apaziguar seu pranto da solidão. 

18.1.14

Meu belo horizonte

Com a leveza duma pluma, o pássaro de ferro deixa o chão. Sinto a sensação engraçada da inércia sobre o meu corpo, que não quer voar. E voamos rumo ao céu choroso, carregado - que, de repente, é revertido em sol glorioso, num por-sobre cama de algodão-doce, num prisma de mil cores... Vejo cada poeirinha através desse sol de manhã de janeiro, flutuando gentilmente no ar... Dou até-breve à imensidão azul que deixo pra trás. E, como Dédalo, passamos rente ao sol que escalda sem derreter as asas. Nós somos feitos de luz como o sol, como as estrelas: luz que amanhece poderosa todos os dias, que dá energia pro viver-feliz... Voo rumo ao mar verde-montanhoso, pra perto da canção alegre da minha alma, pra perto da chuva milagrosa que sobrepõe o prisma branco e dá vida à verdura das serras. Estou chegando em casa.

12.1.14

Canção

Ainda chove;
Saudades
Do perfume
Que me embala
Me embriaga
Ruboriza
Faz arder.

Ainda chove
Sobre os mares
Verde-água
Azul-profundo
Cinza-escuro
De alegria e de tristeza
De saudade infinita
De amor aquiescer.

14.11.13

Pleonasmos & personagens

Sempre discordei de minha professora de redação do colégio no que diz respeito a pleonasmos. Como o ser linguístico que sempre fui - muito antes de começar o curso de Letras - sempre achei absurdo que 'repetir de novo' fosse considerado pleonasmo.

Vejam bem o meu exemplo: o professor (de química ou matemática, pra deixar o exemplo bem verossímil) explica alguma coisa aos seus alunos. Como de praxe, aqueles candidatos ao curso de Letras-História-Comunicação-Música-Psicologia-Direito-Etc não entendem. O professor, então, repete a explicação - e os alunos continuam sem entender, porque, afinal, é uma aula de química. Então, o professor é obrigado a repetir de novo aquilo que ele falou, e assim o fará, até que todos os alunos entendam. Portanto, eu considero 'repetir de novo' um exemplo muito fraco de pleonasmo.

E, por falar em 'repetir de novo', nada melhor como contra-exemplo do que a novela Chocolate com Pimenta, que passou na Globo há uns 10 anos, repetiu há uns 6 e repetiu de novo ano passado. E, podem me chamar de obsessiva, mas estou louca para poder empregar o "pleonasmo" mais uma vez com essa novela. E olha que eu não sou nem um pouco noveleira-de-plantão (é, talvez o problema seja que eu sou obsessiva mesmo).

Me chamem de boba ou do que for (baranga, inclusive), mas os personagens de Chocolate com Pimenta são meus ~amigos~. Nada melhor e mais familiar do que ver o tio Margarido com aquele sotaque caipira fazendo mais um daqueles bolos deliciosos, ou a Márrrrcia, tão chique, bem, afirmando ser dona e proprietária de salão de beleza! A Dona Jezebel com seu bordão 'ah! Como sofro!', ou o soldado Peixoto dormindo na delegacia e sendo acordado por um grito do delegado Terêncio... Ou você não sabe o que é se afeiçoar a um personagem? Não sabe quando um personagem vira seu amigo?

Um personagem vira seu amigo quando você começa a se envolver com ele: sabe quando você e a Ana Francisca ficaram emocionados quando ela foi contar pro Danilo que o Tonico era filho dele? Sabe quando você ficou apreensivo quando o assassino começou a agredir L.B. Jeffries e você não podia fazer nada a respeito? Sabe quando você se apaixonou pelo capitão Rodrigo Cambará, que chegou montado num alazão, de bombachas e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal? Sabe quando você chorou de agonia quando a jovem e linda Penélope Aldaya sofria ao dar à luz a David, filho de Julián Carax? Ou então quando abriu um buraco no seu coração quando o Dobby deu seu último suspiro num lindo lugar para se estar com amigos? Sabe? Se sabe, é porque você também se envolveu com esses personagens fantásticos.

Acho simplesmente incrível a habilidade que as pessoas têm de criar personagens que conseguem envolver tanto a gente... De criar esses entes tão queridos que criam um outro mundo, tão amplo e magnífico, tão feliz e triste, tão vasto, espetacular e onírico.

Como reflexão do dia, deixo essa foto:


Me pergunto todos os dias por que cargas d'água alguém colocaria o nome de 'Complemento Nominal' numa loja. Será que essa pessoa ao menos sabe o que é um Complemento Nominal? Sentir-me-ia muito lisonjeada se um dia algum aluno inaugurasse uma loja de roupas chamada, por exemplo, Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal Reduzida de Infinitivo em minha homenagem.

Ps.: pra não perder o costume, o blog mudou de nome mais uma vez. Ele mudou de nome porque eu quis. E porque tinha enjoado do outro. E também porque combina mais com o plano de fundo de estrelas.

24.3.13

Ida à China por R$2,80

O Ubirajara era um cara muito engraçado. Uma figura. Bira, era como todo mundo chamava ele. As histórias do Bira eram as melhores! Nada fazia sentido... Tudo mentira, lógico - mas valia a pena ouvir! A melhor delas foi tão absurda que eu vou até tentar contar aqui:

O Bira morria de medo de andar de ônibus. Não confiava nem em motorista, nem em trocador. Uma vez ele cismou que os trocadores de ônibus achavam ele com cara de riquinho, filhinho de papai, e que roubavam dinheiro dele na hora de cobrar a passagem. Vai entender. Enfim, o negócio é que o Bira nunca andava de ônibus: ele sempre andava a pé ou pedia carona pros amigos.

E assim o Bira ia levando a sua vida, até que um dia ele arranjou uma namorada que morava lá pros lados do Taquaril. Ele queria porque queria sair com a mulher, levar ela no cinema, num restaurante e, enfim, né, conhecê-la no sentido bíblico da coisa. Mas a dita cuja, que era muito religiosa e não era boba, quis que o Bira fosse, antes, conhecer seus pais, na casa lá perto do Taquaril. E, como Maomé não vai até a montanha, a montanha resolveu ir até Maomé.

Bira, decidido a atingir os seus objetivos, resolveu baixar lá no Taquaril. Era longe demais pra ir a pé, e é claro que ninguém topou dar carona pra ele até lá. Quando viu que seria obrigado a pegar ônibus, até pensou em tirar carteira! Tudo isso pra não andar de ônibus! No fim das contas, a carteira ia demorar demais e custar muito mais que os R$2,80 da passagem, então ele resolveu encarar a vida e ir de busão mesmo.

Com medo do trocador ficar enchendo o saco, o Bira teve a brilhante ideia de deixar a barba crescer, vestir uma roupa esfarrapada e se vestir de mendigo pra pegar o ônibus. O trocador não ia chamar um mendigo de filhinho de papai e roubar o dinheiro dele, né?

E assim foi: depois de uma festa de arromba no dia anterior, o Bira nem se aguentava em pé, mas foi lá ver a amada. Totalmente virado e com uma ressaca desgraçada, ele se vestiu de mendigo e foi pro ponto de ônibus, pra esperar o TAQUARIL passar.

Chegou o ônibus, ele entrou, desembolsou seus R$2,80 da passagem, e foi rapidinho sentar lá no fundo, antes que o trocador aprontasse alguma. Mas o trocador nem olhou pra ele. E o Bira lá do fundão, e o ônibus vira pra cá, e vira pra lá, e sobe aqui, e desce ali... E foi embalando o Bira num sono de bálsamo. Ele tava com tanto sono que dormiu no ônibus pro Taquaril. E o ônibus foi indo, foi indo, foi indo...

Bira acordou depois de muito tempo, assustado e sem saber o que estava acontecendo. Ele ainda tava no ônibus, mas a paisagem era bem diferente... Todos os passageiros do ônibus eram iguais, e todos falavam chinês... O Taquaril era estranho, hein?

Ele saiu do ônibus, e viu que todas as placas, em vez de letras normais, tinham uns desenhozinhos esquisitíssimos. Eram ideogramas? Uma das pessoas iguais que andavam na rua deu uns trocados pra ele, numa moeda bizarra... Aí que o Bira lembrou que ele tava vestido de mendigo. E aí que ele entendeu que ele dormiu no ônibus pro Taquaril e acordou na China.

O Bira virou pedinte lá na China. Ele me manda cartas de vez em quando contando da vida por lá. E ele tá lá até hoje, esperando passar o ônibus pro Taquaril, pra poder voltar pra casa.

19.1.13

Quando tudo era infinito

Recebi um e-mail que eu mesma escrevi no ano passado, no FutureMe. Nesse site, a gente pode escrever mensagens para nós mesmos, que serão entregues em uma data do futuro à nossa escolha. 

Foi muito legal, e tal, tirando o fato que eu fiquei o ano inteiro lembrando desse e-mail (de modo que, quando o e-mail chegou, tava mais pra alguma coisa "esperada" do que pra uma grande surpresa), e tirando o fato que eu lembrava de tudo que tava escrito.

Quando eu estava na 9ª série (ou 9º ano, como insistem em chamar), eu estudava em uma escola pequena que só ia até o Ensino Fundamental II. Em uma aula de redação, todos da minha turma escreveram cartas para si mesmos; não eram cartas mesmo - era mais um trabalhinho de redação que ia ser avaliado e, depois, descartado. A professora recolheu as cartas, deu as notas pra todo mundo, e sei lá onde elas foram parar depois disso. A professora devia ter esquecido em casa, deixado em algum canto obscuro da escola, jogado fora, sei lá. Ninguém ligou pra isso, e eu e todos os meus colegas esquecemos das tais cartas. Quando foi um ano depois, quando todos nós estávamos no 1º ano do Ensino Médio, estudando em colégios grandes, diferentes, com amigos novos, professores novos e vida nova, a escola em que eu estudava antes enviou as cartas para mim e todos os meus ex-colegas. Recebemos a carta em casa, exatamente um ano depois de tê-la escrito. Ninguém lembrava mais da carta, e todo mundo ficou meio surpreso, ou até emocionado, quando chegou a dita cuja. Nossa vida tinha mudado muito em um ano. Eu tinha 15 anos. Aos 15 anos, tudo é infinito.

Eu achei que esse e-mail que eu me mandei pelo FutureMe ia causar o mesmo efeito da carta da escola, mas nem de longe causou. Hoje, 5 anos mais tarde, algumas coisas parecem ter perdido a graça de ser, parecem não ser mais tão infinitas como um dia foram. Os anos vão passando por nós sem nós nem nos darmos conta; 1 ano não significa mais tanta coisa: todos os anos são meio iguais, alguns recheados de conquistas, mudanças, doenças e mortes, mas a vida continua a mesma. Lá se foi um janeiro em que eu já estava na faculdade, tinha algumas expectativas, gostava de algumas músicas. Um ano se passou, mais um janeiro veio, e eu continuo na faculdade, algumas expectativas já se cumpriram e outras não, ainda gosto das mesmas músicas.

Não estou dizendo que as coisas não mudam; elas mudam sim. Mas a gente vai ficando mais velho e as coisas vão ficando tão recentes! Quando tudo era infinito, um ano atrás era quase uma eternidade atrás, era quase uma era passada. Hoje, um ano atrás é outro dia. E por aí vai.

12.4.12

35 lições de vida

1. Nunca tome picolé de uva se você estiver usando roupas brancas;
2. Nunca se acidente com café caso você vá dar aula usando roupas brancas;
3. Nunca use roupas brancas para uma entrevista de emprego (caso você pretenda, antes da entrevista, comer Subway/falafel/feijão/cachorro-quente/picolé de uva/qualquer coisa que envolva molhos/tomar café);
4. Mancha de café não sai;
5. Ouça música;
6. Moby é bom;
7. Eu não sei se mancha de picolé de uva sai, mas eu espero que sim;
8. Aquelas balas de caramelo toffee que a TAM serve no voo grudam no dente e nunca mais saem;
9. Não tente comer falafel sem fazer bagunça - é impossível;
10. Nunca pegue um táxi com o pneu furado no aeroporto do Galeão se pretende pegar a Linha Vermelha;
11. Manteiga da amendoim é bom;
12. Nunca - repetindo, NUNCA - deixe suas três filhas pequenas (menores de seis anos) viajarem de avião sentadas lado a lado sem a sua supervisão;
13. Elas gritam e chutam a cadeira da frente;
14. Pior do que as meninas é só a velha chata do seu lado que te dá lição de moral porque já pediram pra desligar o iPod e você ainda não desligou;
15. Mas você já ia desligar;
16. A velha chata odeia crianças;
17. Pink Floyd é bom;
18. A GOL é super moderna e disponibiliza internet durante o voo;
19. Mas só que a internet não funciona;
20.  Desista, a menina sub 6 no assento atrás do seu não vai parar de chutar sua cadeira nunca mais;
21. Hotéis, restaurantes e, enfim, qualquer lugar fechado nos Estados Unidos tem cheiro de queimado;
22. Nunca mude uma coisa de lugar com o intuito de facilitar seu acesso: você vai esquecer onde guardou essa coisa, vai achar que perdeu e vai entrar em pânico;
23.  Continuo sem saber se mancha de picolé de uva sai ou não;
24. Nunca use seu celular touch ou iPod no meio da aula se não estiver no silencioso; você pode esbarrar acidentalmente no ícone do Angry Birds, e a música vai tocar;
25. Nunca use um apagador duvidoso largado pela sala para apagar um quadro branco - você pode manchar o quadro;
26. Nunca conte com aquele vale-refeição que você guarda há anos na carteira: ele tem validade, que provavelmente vai estar vencida quando você mais precisar de usá-lo;
27. Eu não sei se mancha de cola de apagador misturada com tinta de pilot sai;
28. Mas eu espero que saia;
29. Feijõezinhos de todos os sabores são de TODOS os sabores MESMO.
30. Em um concerto, tenha certeza de que a peça acabou antes de gritar "bravo!";
31. Principalmente se o concerto estiver sendo filmado;
32. Sempre preste atenção no fuso horário quando for ligar ou mandar uma mensagem para alguém que está em outro país; seu interlocutor não vai gostar de acordar no meio da noite só para descobrir que, por exemplo, você comprou um arco dourado para o seu violino;
33. O Ron sempre teve razão: todo mundo sempre tira o Dumbledore nas cartas colecionáveis dos sapos de chocolate;
34. Isso é porque só existem cartas do Dumbledore;
35. Finalmente, como última lição de vida... Ah, finalmente nada! Eu vou é dormir!

Boa noite!

17.3.12

Anjo da Guarda

Anjo da Sombra
Companheiro
De um homem triste -
Coragem.

Mulher amada
Devaneio
De um homem sério -
Miragem.

Anjo Esbelto
Brio
Do rapaz que ama -
Paixão.

Anjo da Guarda
Sombrio
Não deixa a Morte
Em vão.

5.2.12

Encantamento

Bolas, bolhas prateadas
Vidro mole
Espelho d'água

Bolas, bolhas refletidas
Espelhadas,
Coloridas

Bolas, bolhas transparentes
Flutuantes,
Negligentes

Bolhas, bolhas coloridas
Tão felizes,
Tão sofridas

Bolhas, bolhas encharcadas
Tristes, frias
Tão geladas...

12.9.11

White

You bring me great joy;
You bring me reverie,
Feed my dream world.
And you are able to suck
All of this from me,
You are able to, gradually,
Deteriorate myself
Inside.

Suddenly,
My world is going down:
All of the imagery you
Feed
- what keeps me alive -
Collapses.

I have no more ground to stand - and I can't stand it anymore.

1.9.11

Diálogo antigo

Ah! Octavius - imperador romano!
Como queria ter-te conhecido
Melhor, fora da mente,
Fora do sono...

Octavius, Caesar Augustus,
Conversa, favor, mais uma vez comigo,
Sobre música, língua,
Sobre teus feitos...

Sobre teus mares, sobre teus ares,
Quiçá tais edifícios construídos
Estradas sobre império...
Paz foi instaurada...

Pax Augusta.

Bruna Amarante Cohen

24.8.11

América

Se vida toda linguagem,
Que vida quando linguagem
Exaure tua cultura,
Finda tal tradição?

Se vida toda linguagem,
Que vida um assassino
Dilacera, mata, mutila,
Aculturando uma nação?

Sim, vida toda linguagem;
Língua toda cultura;
Inculto és tu, caro homem,
Quem quer sua destruição.

Bruna Amarante Cohen

19.8.11

Artista do mundo

Toca minha alma com teu toque
Suave, sensível, menor,
Na tecla de um teclado;

Enche os meus olhos com teu choque,
Voraz, certeiro, capaz,
Dum Bartók bem tocado;

E seja só, só minha até a morte
Tal falta de palavras
Dum Mendelssohn olvidado.

Bruna Amarante Cohen

O blog mudou de título novamente; esse é o poema, de minha autoria, que dá seu novo nome: "toca minha alma com teu toque".

5.1.11

Decolando

É interessante observar as pessoas quando o avião está decolando. É como se sua personalidade, cultura, traumas, religião, etc, viessem à tona por um instante.

Por um erro na compra da passagem, acabei ficando no assento 10D, enquanto meus pais ficaram na fileira 29; por isso, fiquei olhando - e observando - todos à minha volta enquanto o avião acelerava para alçar voo.

A moça simpática e falante, logo ao meu lado, de repente fechou os olhos e fez o sinal da cruz; um homem de pé enfaixado, do outro lado do corredor, que antes lia alguma coisa e fazia suas anotações, fechou os olhos com força, como se a decolagem fosse doer muito; um garoto agarrou com força os braços da cadeira; um casal deu as mãos; admito que até eu, rapidamente, fechei os olhos e rezei meu shemá. Como no momento decisivo da final da Copa do Mundo, o voo inteiro prendeu a respiração.

E, com a mesma velocidade que a tensão veio, ela se foi. A partir do momento em que as rodas do avião deixaram o solo, houve uma mudança na atmosfera: a moça simpática e falante voltou a conversar com a senhora ao seu lado; o homem com o pé enfaixado abriu os olhos e voltou a ler o que estava lendo, fazendo suas anotações; o garoto soltou os braços da cadeira; o casal soltou as mãos e deu um beijo. O voo inteiro soltou o ar de seus pulmões. E, enquanto todos voltavam às suas atividades, eu, observadora como sempre, me pus a escrever - na agenda mesmo - os meus pensamentos.

7.4.10

Crônica na biblioteca do Colégio

É uma tarefa meio árdua estudar na biblioteca do Colégio quando a gente, de fato, não tá nem um pouco a fim. Principalmente quando a matéria é algo como História da Física, que cotribui para confundir conceitos que foram dificilmente - na maioria dos casos - consolidados na nossa cabeça; adoro História, e até gosto de Física, mas História da Física consegue ser bastante confuso.

Na biblioteca acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, que acabam confundindo a gente: uns até conseguem se concentrar, mas a grande maioria fala, seja para jogar conversa fora, para tirar dúvidas, ou o que for. Pessoas chegam, pessoas vão embora, amigos passam para dizer "oi", grupos de pessoas riem descontroladamente, namorados se beijam... E eu tento ler mais uma linha do meu texto sobre História da Física.

A garota ao lado comenta com sua vizinha:

- Nossa, mas você viu ontem a chuva no Rio?

Mais uma vez - e em vão -, dirijo a atenção para a leitura, mas o garoto do outro lado fala com seu amigo:

- Não, olha... Força é igual à massa vezes a aceleração, então...

Fazendo certo esforço para me concentrar, eu consigo, finalmente, me desligar do mundo externo e ler um parágrafo inteiro do texto. Por fim, olho para a minha frente... Pra quê? Só por isso, chegam várias pessoas, cada uma carregando um livro diferente: uma garota com um Biologia 2, do Armênio e Ernesto, outro com o Física 3 novo da Moderna - parte I, claro -, um pseudo-conhecido com uma Folha de São Paulo... Um menino com um livro de Sociologia? Esse aí não deve ser do terceiro ano, mas do segundo ou até do primeiro...

Volto, enfim, ao texto: "Aristóteles distingue quatro tipos de movimento:(...)"...

"-... A artéria transporta tanto sangue venoso quanto arterial..."
"- Você tem o caderno do Jorge aí?"
"- Você não sabe o que me aconteceu hoje!"
"- Mas a Tuca disse que..."

"(...) o substancial, que corresponde à(...)"

"- Isso tudo cai na prova?"
"- Mas a fórmula de Coulumb..."
"- Antes de estudar aqui, eu..."

"..."

Felizardos são os que conseguem se concentrar nestas condições! Francamente, isso é digno de uma crônica; quem dera se Luis Fernando Verissimo estivesse aqui comigo.

Mas agora, se me dão licença, preciso voltar - tentar voltar - aos meus estudos sobre História da Física. De novo.

Quem sabe por algum milagre eu não consigo me concentrar melhor?

19.2.10

Cultura?

Há mais ou menos dois anos, mencionei, neste mesmo blog, que não gostava de carnaval; bem, gostaria, então, de fazer uma correção no que disse. Eu gosto sim de carnaval, mas preciso deixar claro que só me agrada aquele em que se toca samba, marchinhas, em que todos se fantasiam e o clima é de alegria: o carnaval do Rio de Janeiro.

Digo isso porque fui, pela primeira vez na vida, ao Rio passar o carnaval; pela primeira vez, soube o que é carnaval de verdade, e, acreditem, superou absolutamente todas as minhas expectativas. Fui a alguns blocos de rua, e senti na pele o que é toda essa alegria. Me diverti demais.

No domingo, às 8:00 da manhã, eu e meu namorado fomos a um bloco no centro, chamado Boitatá. Todos me disseram "ah, esse bloco é lindo demais, vale o sacrifício de acordar cedo!"; eu não acreditei muito, mas fui. E, admito: o sacrifício mais que valeu.

Quando chegamos, um aglomerado de pessoas felizes fantasiadas, bateria e uma verdadeira orquestra de metais se reuniam no centro meio histórico do Rio de Janeiro para o bloco. De repente, a bateria começou a tocar, com o bloco ainda parado, e, em seguida, os metais. Reconheci na hora o que estavam tocando. Villa, "O Trenzinho Caipira", último movimento das Bachianas Brasileiras nº 2. Villa Lobos. As pessoas começaram a aplaudir e a cantar, entusiasmadas, a música do nosso querido compositor brasileiro.

Foi emocionante. Admito que fiquei arrepiada, e quase chorei. Por que foi emocionante? Bem, o simples fato de as pessoas tocarem, cantarem e se entusiasmarem com a música erudita de um grande compositor brasileiro como o Villa Lobos enquanto o resto do país se mata com aquelas festas que tocam aquela "música" ruim e completamente sem fundamento que é o (uhg!) axé é, no mínimo, tocante. Isso mostra a valorização de uma cultura muito, mas realmente muito rica, que é a que nós temos. Cultura esta que - ironicamente - não é nem lembrada no carnaval (me desculpem a expressão, mas é isso mesmo) baixo-nível das cidades históricas de Minas Gerais.

Se quiser me chamar para ir no seu carnaval, sinta-se à vontade. Mas, lembre-se: o meu nível é um pouquinho mais alto, rs.

13.1.10

Ao alho e óleo

Estávamos todos em um restaurante no Leme, no Rio de Janeiro, em uma tarde de terça feira, talvez em junho, não sei, de 2005. Um restaurante simples, de frutos do mar; super pequenininho, mas bem jeitoso, servindo peixe bem fresco. É, eu gostava muito de lá - até esse dia.

Acho que eu estava meio sonolenta, porque eu não estava prestando atenção no que meus pais e minhas irmãs estavam pedindo. Tudo o que eu ouvi foi:

- ... ao alho e óleo. - disse meu pai - E, pra beber... Bruna, o que você quer pra beber?

- Ahn? - disse eu, meio confusa - Ah, sei lá, pode ser uma Coca...

O garçom anotou o pedido e foi para a cozinha. Logo depois, voltou trazendo uma cesta de pães e uns mariscos. Pegando um marisco, eu virei para minha irmã e perguntei:

- Su, o que é que vocês pediram que é "ao alho e óleo"?

- Ué, Bruna, ao alho e óleo, uai!

Na verdade, o que eu queria saber era que comida eles tinham pedido... Mas, pelo visto, ela não entendeu a minha dúvida. Aliás, ninguém pareceu entender a minha dúvida.

- Não, Suzana - eu disse, pegando mais um marisco - o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"...

- Bruna do céu! Alho é alho, e óleo é óleo! COMO você não sabe o que é "ao alho e óleo"? - disse a Suzana, horrorizada - Mamãe, a Bruna NÃO SABE o que é "ao alho e óleo"!

- Não, Suzana! O que eu não sei é O QUÊ é "ao alho e óleo"! - disse eu, frustrada por não estar sendo entendida.

- Que isso, Bruna! Ao alho e óleo, minha filha! - disse minha mãe.

- Gente, mas EU SEI o que é "ao alho e óleo", o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"!

- BRUNA, OLHA PRA MIM - disse minha mãe, perdendo a paciência - você sabe o que é alho?

- Sei...

- Você sabe o que é óleo?

- Sei, mas...

- ENTÃO, junta alho com óleo, e você tem AO ALHO E ÓLEO! NÃO É POSSÍVEL!

- Meu D'us do céu... - disse a Suzana.

- Alho e óleo, Bruna, igual macarrão, sabe? - disse a Sarah, minha outra irmã.

- BRUNA, VOCÊ VAI APANHAR! - disse minha mãe, já com raiva.

- MEU D'US! - as lágrimas já pulavam para fora dos meus olhos - EU ENTENDI! MAS QUE PEIXE, QUE COMIDA, QUE COISA VOCÊS PEDIRAM QUE VEM "AO ALHO E ÓLEO"?!?!?!

- AH! - exclamou a Sarah - Ela quer saber é que peixe a gente pediu, mamãe, ela sabe o que é "ao alho e óleo"!

- É óbvio que eu sei o que é "ao alho e óleo"!

- Ah... - disseram a minha mãe e a Suzana juntas.

- Linguado que a gente pediu, Bruna - disse meu pai, pacientemente.

- Ah, tá... Brigada, era só isso que eu queria saber...

Depois disso, nós comemos, e, naquele mesmo dia, voltamos para BH de avião. Chegando em casa, eu passei mal - acho, aliás, que nunca passei tão mal na minha vida.

É, parece até que o mal estar foi consequência do mal-entendido... Mas, analisando friamente, acho que foi por causa do marisco mesmo.

11.12.09

Um juiz improvável

Em uma madrugada serena de novembro, Pierre Nougat, neto de franceses, cruzava, nervosamente, a Praça Sete, em Belo Horizonte, com um volumoso estojo de couro dependurado nas costas. O homem andava apressado, olhando para os lados, como se tivesse medo de ser roubado.

De fato, o que Pierre tinha nas costas era algo muito digno de ser roubado. Dentro do estojo de couro se encontrava um violoncelo caro, feito com madeira italiana, acabamento de primeira, assinatura de um Luthier bom de serviço. Devia valer seus dez mil reais, e, além disso, chamava muito a atenção: o violoncelo é um instrumento musical enorme. Notavelmente, carregar um objeto desses no centro de Belo Horizonte à noite não é algo que se deva fazer.

Chegou ao outro lado da praça, ofegante. Mais uma vez, olhou para os lados, ajeitou a alça de couro sobre seu ombro, e, apoiando-se no poste de luz, acendeu um cigarro com seu isqueiro. Quando estava guardando o pequeno objeto em seu bolso traseiro, viu um vulto andando nas sombras. Apavorado, Pierre largou o cigarro no chão e recuou, até penetrar na penumbra, onde a luz do poste dificilmente alcançava, e quase soltou um grito quando sentiu o instrumento caro esbarrar de leve em alguma coisa macia. Uma mão forte apertou sua boca, sentiu seu braço direito ser firmemente segurado, e uma voz grave disse-lhe ao ouvido:

- Não grite, ou as coisas serão exponencialmente piores para o seu lado. Apenas passe o violoncelo.

Com a mão livre, Pierre tentou aliviar o aperto do homem estranho em sua boca. Este soltou sua mandíbula, mas não soltou seu braço.

- Do que você está falando? – perguntou o descendente de franceses, arfando, tentando enganar o ladrão.

- Você sabe muito bem do que eu estou falando, me passe agora esse seu presentinho de dez mil contos ou eu te dou uma facada no pescoço, está me entendendo?

Pierre achou que fosse apenas uma piada para intimidá-lo, até perceber o brilho de uma lâmina muito bem afiada tangenciando seu pescoço. Apavorado, implorou:

- Por favor, amigo, não faça isso... O violoncelo não é meu. Se acontecer alguma coisa com ele, serei punido...

- Primeiro, cidadão: eu não sou seu amigo. Segundo: Acho que é melhor ser punido do que morrer com uma facada no pescoço, não?

Sem esperar resposta, o ladrão puxou o estojo do violoncelo pela alça, e enfiou o punhal que estava segurando no pescoço de sua vítima. O sangue começou a jorrar, Pierre caiu de joelhos e, um milésimo de segundo antes de desabar no chão sem vida, puxou a faca de seu pescoço e, com o máximo de força que pôde a enfiou na perna do assassino.

Pierre acordou depois do que lhe pareceram cinco minutos em uma sala, toda feita de pedras. Olhou para sua camisa ensanguentada, e logo se deparou com um profundo furo em seu pescoço que, no entanto, não doía nem um pouco. Ele estava, sem dúvida, morto. Olhou para o seu lado, e se deparou com outro homem, deitado, com um corte enorme na perna, como se esta tivesse sido rasgada: seu assassino, que havia tentado roubar seu violoncelo. O assassino, então, abriu os olhos e se sentou, sem dificuldades, olhando para os lados e tentando compreender.

- O que está havendo? – perguntou o assassino – Quem sou eu? Quem é você? Onde estamos?

- Quem é você? Você está brincando comigo, certo? Você acabou de me matar!

- Eu? Eu te matei? Meu Deus! – disse o homem, assustado – Não é possível, eu nunca faria isso a alguém! Aliás, quem exatamente sou eu? Céus, eu não me lembro de nada!

- Você é nada além do meu assassino! Você me matou com uma facada no pescoço, olha aqui – disse, mostrando o corte no próprio pescoço – E você ainda tem coragem de dizer que não se lembra de nada. Agora, estamos eu e você provavelmente na fila pra entrar no Inferno!

- Como assim? Eu também estou morto? – perguntou, e, logo em seguida, viu o corte imenso em sua perna – Eu estou morto. E foi você quem me matou. Seu idiota, por que você fez isso?

- Eu que lhe pergunto! – gritou Pierre, indignado – Você me aparece na Praça Sete às duas da manhã, rouba meu violoncelo caríssimo, que, aliás, nem era meu, e ainda me mata cortando meu pescoço. Eu simplesmente tentei me defender e enfiei a faca em você.

- Primeiro, cidadão: eu nunca roubei e nem roubarei nada de ninguém. Depois que eu nunca matei e nunca terei coragem de matar uma pessoa. E terceiro: você simplesmente enfiou a faca em mim por legítima defesa?

- É isso mesmo! E você, seu covarde, tentando se safar de ir para o Inferno inventando essa historinha que você não se lembra, que você é muito inocente, que você nunca faria uma coisa dessas. Nunca faria mas fez, seu imbecil.

Com um salto, o assassino se levantou, e Pierre o acompanhou.

- Não me chame de imbecil! – gritou o assassino.

- Então não negue que você tem culpa em tem feito o que fez!

- Eu não fiz nada disso!

O descendente de franceses não respondeu. Apenas cerrou os punhos e, com uma velocidade incrível, acertou o rosto de seu rival. Nesse momento, surgiu uma labareda de fogo a um metro dos homens, e dela saiu um ser alto, com a face rija, o olhar satânico, as pupilas em fendas e um par de chifres da cabeça. Era, sem dúvida, o Diabo.

- Escutem os dois! – disse o ser, e os homens imediatamente se separaram, sobressaltados – Eu sou o Diabo, e eu já fiz coisas muito, realmente muito ruins. Mas uma coisa que eu não admito, absolutamente, é o fato de dois mortais inocentes se agredindo em na porta dos meus aposentos.

- Inocentes? – perguntou Pierre, indignado - Senhor Diabo, esse homem me roubou e me matou, como ele pode ser inocente?

- Este homem, senhor Pierre, estava sob efeito de uma erva alucinógena que o obrigaram a tomar. A culpa não é dele, acredite. A culpa é de quem deu o alucinógeno a ele, que, aliás, já está sendo punido, e muito punido... – disse, parecendo se deliciar com o fato – Senhores, se continuarem a brigar aqui, terei de tomar medidas drásticas: mandar ambos para o Inferno.

Os homens arregalaram os olhos, assustados, e o assassino de Pierre - que se chamava Agripa Bernardes, embora não se lembrasse disso - gritou:

- Eu não vou para Inferno nenhum! Quem começou foi ele! – disse, apontando para Pierre, como uma criança mal educada – Eu não tenho culpa de nada, foi ele quem começou a me agredir!

- Comecei a te agredir porque você falou coisas absurdas! Quem não vai pra Inferno nenhum aqui sou eu! Eu não roubei ninguém, e eu não matei para roubar, matei para me defender!

- SENHORES! – berrou o Diabo, com a voz demoníaca cheia de ira – Queiram, por obséquio, se acalmar! Eu já lhes disse que nenhum dos dois tem culpa, e que não precisam brigar. Só vão para o Inferno aqueles que fazem coisas realmente muito ruins por vontade própria e gratuitamente, o que não é o caso de nenhum de vocês, a menos que insistam em brigar em minha presença, o que eu considero extrema falta de respeito. Caso não se lembrem, eu sou o Diabo, e eu tenho autoridade.

Os homens trocaram olhares cheios de receio, mas, passados alguns minutos, Pierre deu um passo à frente e estendeu sua mão. Como Agripa hesitasse em apertá-la, disse:

- Amigo, o senhor Diabo tem razão. Não posso duvidar dele, eu acredito que você não tem culpa. Por favor, me desculpe, eu agi errado em duvidar de você.

Houve um momento de silêncio. Agripa, então, finalmente deu um passo à frente e, apertando a mão de Nougat, disse:

- Obrigado por acreditar em mim, cidadão. Me desculpe também pela minha grosseria, e, bem, por ter te causado isso... – disse, sem graça, indicando o pescoço de Pierre – Mas não foi minha culpa, você sabe.

Pierre Nougat e Agripa Bernardes não foram nem para o Inferno e nem para o Céu. Ambos foram para o Purgatório, passar a eternidade, e se tornaram grandes amigos. Uma amizade estranha, provinda de um conflito resolvido pelo Diabo em pessoa.

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Nota:
Esse foi o conto com que eu concorri para o concurso de contos da V Semana da Conciliação, no TRT, do qual participaram alunos da 2ª série do Ensino Médio do meu colégio, o Colégio Santo Antônio, e do Coltec, Colégio Técnico da UFMG. Espero que tenham gostado!

20.11.09

Ponto de máximo

Acabei de fazer uma descoberta. Tem um ponto de máximo exatamente onde eu sento para estudar, na minha mesa de estudos, no meu quarto, e é por isso que a porcaria do vizinho incomoda tanto. Na verdade, em qualquer ponto você vai encontrar um ponto de máximo vindo de algum lugar, de alguma casa, seja ela silenciosa ou não. E, exatamente onde eu sento, tem o que vem do quarto desse infeliz. Realmente, esse cara berra, e, se não me engano de que apartamento ele mora, são todos os moradores completamente sem educação, seja a mãe, filhos pequenos, ou filho mais velho (supondo-se que esse sujeito seja o filho mais velho). Acho que vou começar a jogar objetos pesados na janela dele para ele mudar de quarto. Ou, quem sabe, jogar objetos pesados em todas as janelas; pode ser que, assim, eles mudem daqui. Ou então, tacar um tijolo na cabeça dele mesmo, acho que é até mais simples (eu até pensei em usar o meu violino - ao invés do tijolo -, mas, sinceramente, acho o tijolo mais adequado. Ele não merece tal honra; lembrando que cabe a mim a eventual destruição do violino, e a vítima deve se sentir completamente honrada e prestigiada.)

Bem, fechei minha janela de modo a bloquear parcialmente as ondas sonoras emitidas por esse cara, seus amigos e sua caixa de som - sempre palavrões, música alta e ruim repetidas vezes, risaiadas insuportáveis, gritaria, escândalos, cantorias desafinadas acompanhando a musica alta e ruim repetidas vezes - me deixando concentrar um pouco melhor; aliás, me deixando fazer qualquer coisa um pouco melhor.

É, acho que o pobre coitado nem estudar não estuda, pra ficar escutando aquele barulho que chama de música todos os dias até onze e meia da noite.

Dá até vontade de gritar pela janela: "a educação ficou em casa?"; ah é, mas eu esqueci. Ele está em casa.