1. Nunca tome picolé de uva se você estiver usando roupas brancas;
2. Nunca se acidente com café caso você vá dar aula usando roupas brancas;
3. Nunca use roupas brancas para uma entrevista de emprego (caso você pretenda, antes da entrevista, comer Subway/falafel/feijão/cachorro-quente/picolé de uva/qualquer coisa que envolva molhos/tomar café);
4. Mancha de café não sai;
5. Ouça música;
6. Moby é bom;
7. Eu não sei se mancha de picolé de uva sai, mas eu espero que sim;
8. Aquelas balas de caramelo toffee que a TAM serve no voo grudam no dente e nunca mais saem;
9. Não tente comer falafel sem fazer bagunça - é impossível;
10. Nunca pegue um táxi com o pneu furado no aeroporto do Galeão se pretende pegar a Linha Vermelha;
11. Manteiga da amendoim é bom;
12. Nunca - repetindo, NUNCA - deixe suas três filhas pequenas (menores de seis anos) viajarem de avião sentadas lado a lado sem a sua supervisão;
13. Elas gritam e chutam a cadeira da frente;
14. Pior do que as meninas é só a velha chata do seu lado que te dá lição de moral porque já pediram pra desligar o iPod e você ainda não desligou;
15. Mas você já ia desligar;
16. A velha chata odeia crianças;
17. Pink Floyd é bom;
18. A GOL é super moderna e disponibiliza internet durante o voo;
19. Mas só que a internet não funciona;
20. Desista, a menina sub 6 no assento atrás do seu não vai parar de chutar sua cadeira nunca mais;
21. Hotéis, restaurantes e, enfim, qualquer lugar fechado nos Estados Unidos tem cheiro de queimado;
22. Nunca mude uma coisa de lugar com o intuito de facilitar seu acesso: você vai esquecer onde guardou essa coisa, vai achar que perdeu e vai entrar em pânico;
23. Continuo sem saber se mancha de picolé de uva sai ou não;
24. Nunca use seu celular touch ou iPod no meio da aula se não estiver no silencioso; você pode esbarrar acidentalmente no ícone do Angry Birds, e a música vai tocar;
25. Nunca use um apagador duvidoso largado pela sala para apagar um quadro branco - você pode manchar o quadro;
26. Nunca conte com aquele vale-refeição que você guarda há anos na carteira: ele tem validade, que provavelmente vai estar vencida quando você mais precisar de usá-lo;
27. Eu não sei se mancha de cola de apagador misturada com tinta de pilot sai;
28. Mas eu espero que saia;
29. Feijõezinhos de todos os sabores são de TODOS os sabores MESMO.
30. Em um concerto, tenha certeza de que a peça acabou antes de sequer pensar em gritar "bravo!";
31. Principalmente se o concerto estiver sendo filmado;
32. Sempre preste atenção no fuso horário quando for ligar ou mandar uma mensagem para alguém que está em outro país; seu interlocutor não vai gostar de acordar no meio da noite só para descobrir que, por exemplo, você comprou um arco dourado para o seu violino;
33. O Ron sempre teve razão: todo mundo sempre tira o Dumbledore nas cartas colecionáveis dos sapos de chocolate;
34. Isso é porque só existem cartas do Dumbledore;
35. Finalmente, como última lição de vida... Ah, finalmente nada! Eu vou é dormir!
Boa noite!
toca minha alma com teu toque
enche os meus olhos com teu choque
12.4.12
17.3.12
Anjo da Guarda
Anjo da Sombra
Companheiro
De um homem triste -
Coragem.
Mulher amada
Devaneio
De um homem sério -
Miragem.
Anjo Esbelto
Brio
Do rapaz que ama -
Paixão.
Anjo da Guarda
Sombrio
Não deixa a Morte
Em vão.
Companheiro
De um homem triste -
Coragem.
Mulher amada
Devaneio
De um homem sério -
Miragem.
Anjo Esbelto
Brio
Do rapaz que ama -
Paixão.
Anjo da Guarda
Sombrio
Não deixa a Morte
Em vão.
5.2.12
Encantamento
Bolas, bolhas prateadas
Vidro mole
Espelho d'água
Bolas, bolhas refletidas
Espelhadas,
Coloridas
Bolas, bolhas transparentes
Flutuantes,
Negligentes
Bolhas, bolhas coloridas
Tão felizes,
Tão sofridas
Bolhas, bolhas encharcadas
Tristes, frias
Tão geladas...
Vidro mole
Espelho d'água
Bolas, bolhas refletidas
Espelhadas,
Coloridas
Bolas, bolhas transparentes
Flutuantes,
Negligentes
Bolhas, bolhas coloridas
Tão felizes,
Tão sofridas
Bolhas, bolhas encharcadas
Tristes, frias
Tão geladas...
12.9.11
White
You bring me great joy;
You bring me revirie,
Feed my dream world.
And you are able to suck
All of this from me,
You are able to, gradually,
Deteriorate myself
Inside.
Suddenly,
My world is going down:
All of the imagery you
Feed
- what keeps me alive -
Collapses.
I have no more ground to stand - and I can't stand it anymore.
1.9.11
Diálogo antigo
Ah! Octavius - imperador romano!
Como queria ter-te conhecido
Melhor, fora da mente,
Fora do sono...
Octavius, Caesar Augustus,
Conversa, favor, mais uma vez comigo,
Sobre música, língua,
Sobre teus feitos...
Sobre teus mares, sobre teus ares,
Quiçá tais edifícios construídos
Estradas sobre império...
Paz foi instaurada...
Pax Augusta.
Bruna Amarante Cohen
24.8.11
América
Se vida toda linguagem,
Que vida quando linguagem
Exaure tua cultura,
Finda tal tradição?
Se vida toda linguagem,
Que vida um assassino
Dilacera, mata, mutila,
Aculturando uma nação?
Sim, vida toda linguagem;
Língua toda cultura;
Inculto és tu, caro homem,
Quem quer sua destruição.
Bruna Amarante Cohen
19.8.11
Artista do mundo
Toca minha alma com teu toque
Suave, sensível, menor,
Na tecla de um teclado;
Enche os meus olhos com teu choque,
Voraz, certeiro, capaz,
Dum Bartók bem tocado;
E seja só, só minha até a morte
Tal falta de palavras
Dum Mendelssohn olvidado.
Bruna Amarante Cohen
O blog mudou de título novamente; esse é o poema, de minha autoria, que dá seu novo nome: "toca minha alma com teu toque".
5.1.11
Decolando
É interessante observar as pessoas quando o avião está decolando. É como se sua personalidade, cultura, traumas, religião, etc, viessem à tona por um instante.
Por um erro na compra da passagem, acabei ficando no assento 10D, enquanto meus pais ficaram na fileira 29; por isso, fiquei olhando - e observando - todos à minha volta enquanto o avião acelerava para alçar voo.
A moça simpática e falante, logo ao meu lado, de repente fechou os olhos e fez o sinal da cruz; um homem de pé enfaixado, do outro lado do corredor, que antes lia alguma coisa e fazia suas anotações, fechou os olhos com força, como se a decolagem fosse doer muito; um garoto agarrou com força os braços da cadeira; um casal deu as mãos; admito que até eu, rapidamente, fechei os olhos e rezei meu shemá. Como no momento decisivo da final da Copa do Mundo, o voo inteiro prendeu a respiração.
E, com a mesma velocidade que a tensão veio, ela se foi. A partir do momento em que as rodas do avião deixaram o solo, houve uma mudança na atmosfera: a moça simpática e falante voltou a conversar com a senhora ao seu lado; o homem com o pé enfaixado abriu os olhos e voltou a ler o que estava lendo, fazendo suas anotações; o garoto soltou os braços da cadeira; o casal soltou as mãos e deu um beijo. O voo inteiro soltou o ar de seus pulmões. E, enquanto todos voltavam às suas atividades, eu, observadora como sempre, me pus a escrever - na agenda mesmo - os meus pensamentos.
Por um erro na compra da passagem, acabei ficando no assento 10D, enquanto meus pais ficaram na fileira 29; por isso, fiquei olhando - e observando - todos à minha volta enquanto o avião acelerava para alçar voo.
A moça simpática e falante, logo ao meu lado, de repente fechou os olhos e fez o sinal da cruz; um homem de pé enfaixado, do outro lado do corredor, que antes lia alguma coisa e fazia suas anotações, fechou os olhos com força, como se a decolagem fosse doer muito; um garoto agarrou com força os braços da cadeira; um casal deu as mãos; admito que até eu, rapidamente, fechei os olhos e rezei meu shemá. Como no momento decisivo da final da Copa do Mundo, o voo inteiro prendeu a respiração.
E, com a mesma velocidade que a tensão veio, ela se foi. A partir do momento em que as rodas do avião deixaram o solo, houve uma mudança na atmosfera: a moça simpática e falante voltou a conversar com a senhora ao seu lado; o homem com o pé enfaixado abriu os olhos e voltou a ler o que estava lendo, fazendo suas anotações; o garoto soltou os braços da cadeira; o casal soltou as mãos e deu um beijo. O voo inteiro soltou o ar de seus pulmões. E, enquanto todos voltavam às suas atividades, eu, observadora como sempre, me pus a escrever - na agenda mesmo - os meus pensamentos.
7.4.10
Crônica na biblioteca do Colégio
É uma tarefa meio árdua estudar na biblioteca do Colégio quando a gente, de fato, não tá nem um pouco a fim. Principalmente quando a matéria é algo como História da Física, que cotribui para confundir conceitos que foram dificilmente - na maioria dos casos - consolidados na nossa cabeça; adoro História, e até gosto de Física, mas História da Física consegue ser bastante confuso.
Na biblioteca acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, que acabam confundindo a gente: uns até conseguem se concentrar, mas a grande maioria fala, seja para jogar conversa fora, para tirar dúvidas, ou o que for. Pessoas chegam, pessoas vão embora, amigos passam para dizer "oi", grupos de pessoas riem descontroladamente, namorados se beijam... E eu tento ler mais uma linha do meu texto sobre História da Física.
A garota ao lado comenta com sua vizinha:
- Nossa, mas você viu ontem a chuva no Rio?
Mais uma vez - e em vão -, dirijo a atenção para a leitura, mas o garoto do outro lado fala com seu amigo:
- Não, olha... Força é igual à massa vezes a aceleração, então...
Fazendo certo esforço para me concentrar, eu consigo, finalmente, me desligar do mundo externo e ler um parágrafo inteiro do texto. Por fim, olho para a minha frente... Pra quê? Só por isso, chegam várias pessoas, cada uma carregando um livro diferente: uma garota com um Biologia 2, do Armênio e Ernesto, outro com o Física 3 novo da Moderna - parte I, claro -, um pseudo-conhecido com uma Folha de São Paulo... Um menino com um livro de Sociologia? Esse aí não deve ser do terceiro ano, mas do segundo ou até do primeiro...
Volto, enfim, ao texto: "Aristóteles distingue quatro tipos de movimento:(...)"...
"-... A artéria transporta tanto sangue venoso quanto arterial..."
"- Você tem o caderno do Jorge aí?"
"- Você não sabe o que me aconteceu hoje!"
"- Mas a Tuca disse que..."
"(...) o substancial, que corresponde à(...)"
"- Isso tudo cai na prova?"
"- Mas a fórmula de Coulumb..."
"- Antes de estudar aqui, eu..."
"..."
Felizardos são os que conseguem se concentrar nestas condições! Francamente, isso é digno de uma crônica; quem dera se Luis Fernando Verissimo estivesse aqui comigo.
Mas agora, se me dão licença, preciso voltar - tentar voltar - aos meus estudos sobre História da Física. De novo.
Quem sabe por algum milagre eu não consigo me concentrar melhor?
Na biblioteca acontecem muitas coisas ao mesmo tempo, que acabam confundindo a gente: uns até conseguem se concentrar, mas a grande maioria fala, seja para jogar conversa fora, para tirar dúvidas, ou o que for. Pessoas chegam, pessoas vão embora, amigos passam para dizer "oi", grupos de pessoas riem descontroladamente, namorados se beijam... E eu tento ler mais uma linha do meu texto sobre História da Física.
A garota ao lado comenta com sua vizinha:
- Nossa, mas você viu ontem a chuva no Rio?
Mais uma vez - e em vão -, dirijo a atenção para a leitura, mas o garoto do outro lado fala com seu amigo:
- Não, olha... Força é igual à massa vezes a aceleração, então...
Fazendo certo esforço para me concentrar, eu consigo, finalmente, me desligar do mundo externo e ler um parágrafo inteiro do texto. Por fim, olho para a minha frente... Pra quê? Só por isso, chegam várias pessoas, cada uma carregando um livro diferente: uma garota com um Biologia 2, do Armênio e Ernesto, outro com o Física 3 novo da Moderna - parte I, claro -, um pseudo-conhecido com uma Folha de São Paulo... Um menino com um livro de Sociologia? Esse aí não deve ser do terceiro ano, mas do segundo ou até do primeiro...
Volto, enfim, ao texto: "Aristóteles distingue quatro tipos de movimento:(...)"...
"-... A artéria transporta tanto sangue venoso quanto arterial..."
"- Você tem o caderno do Jorge aí?"
"- Você não sabe o que me aconteceu hoje!"
"- Mas a Tuca disse que..."
"(...) o substancial, que corresponde à(...)"
"- Isso tudo cai na prova?"
"- Mas a fórmula de Coulumb..."
"- Antes de estudar aqui, eu..."
"..."
Felizardos são os que conseguem se concentrar nestas condições! Francamente, isso é digno de uma crônica; quem dera se Luis Fernando Verissimo estivesse aqui comigo.
Mas agora, se me dão licença, preciso voltar - tentar voltar - aos meus estudos sobre História da Física. De novo.
Quem sabe por algum milagre eu não consigo me concentrar melhor?
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19.2.10
Cultura?
Há mais ou menos dois anos, mencionei, neste mesmo blog, que não gostava de carnaval; bem, gostaria, então, de fazer uma correção no que disse. Eu gosto sim de carnaval, mas preciso deixar claro que só me agrada aquele em que se toca samba, marchinhas, em que todos se fantasiam e o clima é de alegria: o carnaval do Rio de Janeiro.
Digo isso porque fui, pela primeira vez na vida, ao Rio passar o carnaval; pela primeira vez, soube o que é carnaval de verdade, e, acreditem, superou absolutamente todas as minhas expectativas. Fui a alguns blocos de rua, e senti na pele o que é toda essa alegria. Me diverti demais.
No domingo, às 8:00 da manhã, eu e meu namorado fomos a um bloco no centro, chamado Boitatá. Todos me disseram "ah, esse bloco é lindo demais, vale o sacrifício de acordar cedo!"; eu não acreditei muito, mas fui. E, admito: o sacrifício mais que valeu.
Quando chegamos, um aglomerado de pessoas felizes fantasiadas, bateria e uma verdadeira orquestra de metais se reuniam no centro meio histórico do Rio de Janeiro para o bloco. De repente, a bateria começou a tocar, com o bloco ainda parado, e, em seguida, os metais. Reconheci na hora o que estavam tocando. Villa, "O Trenzinho Caipira", último movimento das Bachianas Brasileiras nº 2. Villa Lobos. As pessoas começaram a aplaudir e a cantar, entusiasmadas, a música do nosso querido compositor brasileiro.
Foi emocionante. Admito que fiquei arrepiada, e quase chorei. Por que foi emocionante? Bem, o simples fato de as pessoas tocarem, cantarem e se entusiasmarem com a música erudita de um grande compositor brasileiro como o Villa Lobos enquanto o resto do país se mata com aquelas festas que tocam aquela "música" ruim e completamente sem fundamento que é o (uhg!) axé é, no mínimo, tocante. Isso mostra a valorização de uma cultura muito, mas realmente muito rica, que é a que nós temos. Cultura esta que - ironicamente - não é nem lembrada no carnaval (me desculpem a expressão, mas é isso mesmo) baixo-nível das cidades históricas de Minas Gerais.
Se quiser me chamar para ir no seu carnaval, sinta-se à vontade. Mas, lembre-se: o meu nível é um pouquinho mais alto, rs.
Digo isso porque fui, pela primeira vez na vida, ao Rio passar o carnaval; pela primeira vez, soube o que é carnaval de verdade, e, acreditem, superou absolutamente todas as minhas expectativas. Fui a alguns blocos de rua, e senti na pele o que é toda essa alegria. Me diverti demais.
No domingo, às 8:00 da manhã, eu e meu namorado fomos a um bloco no centro, chamado Boitatá. Todos me disseram "ah, esse bloco é lindo demais, vale o sacrifício de acordar cedo!"; eu não acreditei muito, mas fui. E, admito: o sacrifício mais que valeu.
Quando chegamos, um aglomerado de pessoas felizes fantasiadas, bateria e uma verdadeira orquestra de metais se reuniam no centro meio histórico do Rio de Janeiro para o bloco. De repente, a bateria começou a tocar, com o bloco ainda parado, e, em seguida, os metais. Reconheci na hora o que estavam tocando. Villa, "O Trenzinho Caipira", último movimento das Bachianas Brasileiras nº 2. Villa Lobos. As pessoas começaram a aplaudir e a cantar, entusiasmadas, a música do nosso querido compositor brasileiro.
Foi emocionante. Admito que fiquei arrepiada, e quase chorei. Por que foi emocionante? Bem, o simples fato de as pessoas tocarem, cantarem e se entusiasmarem com a música erudita de um grande compositor brasileiro como o Villa Lobos enquanto o resto do país se mata com aquelas festas que tocam aquela "música" ruim e completamente sem fundamento que é o (uhg!) axé é, no mínimo, tocante. Isso mostra a valorização de uma cultura muito, mas realmente muito rica, que é a que nós temos. Cultura esta que - ironicamente - não é nem lembrada no carnaval (me desculpem a expressão, mas é isso mesmo) baixo-nível das cidades históricas de Minas Gerais.
Se quiser me chamar para ir no seu carnaval, sinta-se à vontade. Mas, lembre-se: o meu nível é um pouquinho mais alto, rs.
13.1.10
Ao alho e óleo
Estávamos todos em um restaurante no Leme, no Rio de Janeiro, em uma tarde de terça feira, talvez em junho, não sei, de 2005. Um restaurante simples, de frutos do mar; super pequenininho, mas bem jeitoso, servindo peixe bem fresco. É, eu gostava muito de lá - até esse dia.
Acho que eu estava meio sonolenta, porque eu não estava prestando atenção no que meus pais e minhas irmãs estavam pedindo. Tudo o que eu ouvi foi:
- ... ao alho e óleo. - disse meu pai - E, pra beber... Bruna, o que você quer pra beber?
- Ahn? - disse eu, meio confusa - Ah, sei lá, pode ser uma Coca...
O garçom anotou o pedido e foi para a cozinha. Logo depois, voltou trazendo uma cesta de pães e uns mariscos. Pegando um marisco, eu virei para minha irmã e perguntei:
- Su, o que é que vocês pediram que é "ao alho e óleo"?
- Ué, Bruna, ao alho e óleo, uai!
Na verdade, o que eu queria saber era que comida eles tinham pedido... Mas, pelo visto, ela não entendeu a minha dúvida. Aliás, ninguém pareceu entender a minha dúvida.
- Não, Suzana - eu disse, pegando mais um marisco - o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"...
- Bruna do céu! Alho é alho, e óleo é óleo! COMO você não sabe o que é "ao alho e óleo"? - disse a Suzana, horrorizada - Mamãe, a Bruna NÃO SABE o que é "ao alho e óleo"!
- Não, Suzana! O que eu não sei é O QUÊ é "ao alho e óleo"! - disse eu, frustrada por não estar sendo entendida.
- Que isso, Bruna! Ao alho e óleo, minha filha! - disse minha mãe.
- Gente, mas EU SEI o que é "ao alho e óleo", o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"!
- BRUNA, OLHA PRA MIM - disse minha mãe, perdendo a paciência - você sabe o que é alho?
- Sei...
- Você sabe o que é óleo?
- Sei, mas...
- ENTÃO, junta alho com óleo, e você tem AO ALHO E ÓLEO! NÃO É POSSÍVEL!
- Meu D'us do céu... - disse a Suzana.
- Alho e óleo, Bruna, igual macarrão, sabe? - disse a Sarah, minha outra irmã.
- BRUNA, VOCÊ VAI APANHAR! - disse minha mãe, já com raiva.
- MEU D'US! - as lágrimas já pulavam para fora dos meus olhos - EU ENTENDI! MAS QUE PEIXE, QUE COMIDA, QUE COISA VOCÊS PEDIRAM QUE VEM "AO ALHO E ÓLEO"?!?!?!
- AH! - exclamou a Sarah - Ela quer saber é que peixe a gente pediu, mamãe, ela sabe o que é "ao alho e óleo"!
- É óbvio que eu sei o que é "ao alho e óleo"!
- Ah... - disseram a minha mãe e a Suzana juntas.
- Linguado que a gente pediu, Bruna - disse meu pai, pacientemente.
- Ah, tá... Brigada, era só isso que eu queria saber...
Depois disso, nós comemos, e, naquele mesmo dia, voltamos para BH de avião. Chegando em casa, eu passei mal - acho, aliás, que nunca passei tão mal na minha vida.
É, parece até que o mal estar foi consequência do mal-entendido... Mas, analisando friamente, acho que foi por causa do marisco mesmo.
Acho que eu estava meio sonolenta, porque eu não estava prestando atenção no que meus pais e minhas irmãs estavam pedindo. Tudo o que eu ouvi foi:
- ... ao alho e óleo. - disse meu pai - E, pra beber... Bruna, o que você quer pra beber?
- Ahn? - disse eu, meio confusa - Ah, sei lá, pode ser uma Coca...
O garçom anotou o pedido e foi para a cozinha. Logo depois, voltou trazendo uma cesta de pães e uns mariscos. Pegando um marisco, eu virei para minha irmã e perguntei:
- Su, o que é que vocês pediram que é "ao alho e óleo"?
- Ué, Bruna, ao alho e óleo, uai!
Na verdade, o que eu queria saber era que comida eles tinham pedido... Mas, pelo visto, ela não entendeu a minha dúvida. Aliás, ninguém pareceu entender a minha dúvida.
- Não, Suzana - eu disse, pegando mais um marisco - o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"...
- Bruna do céu! Alho é alho, e óleo é óleo! COMO você não sabe o que é "ao alho e óleo"? - disse a Suzana, horrorizada - Mamãe, a Bruna NÃO SABE o que é "ao alho e óleo"!
- Não, Suzana! O que eu não sei é O QUÊ é "ao alho e óleo"! - disse eu, frustrada por não estar sendo entendida.
- Que isso, Bruna! Ao alho e óleo, minha filha! - disse minha mãe.
- Gente, mas EU SEI o que é "ao alho e óleo", o que eu quero saber é O QUÊ é "ao alho e óleo"!
- BRUNA, OLHA PRA MIM - disse minha mãe, perdendo a paciência - você sabe o que é alho?
- Sei...
- Você sabe o que é óleo?
- Sei, mas...
- ENTÃO, junta alho com óleo, e você tem AO ALHO E ÓLEO! NÃO É POSSÍVEL!
- Meu D'us do céu... - disse a Suzana.
- Alho e óleo, Bruna, igual macarrão, sabe? - disse a Sarah, minha outra irmã.
- BRUNA, VOCÊ VAI APANHAR! - disse minha mãe, já com raiva.
- MEU D'US! - as lágrimas já pulavam para fora dos meus olhos - EU ENTENDI! MAS QUE PEIXE, QUE COMIDA, QUE COISA VOCÊS PEDIRAM QUE VEM "AO ALHO E ÓLEO"?!?!?!
- AH! - exclamou a Sarah - Ela quer saber é que peixe a gente pediu, mamãe, ela sabe o que é "ao alho e óleo"!
- É óbvio que eu sei o que é "ao alho e óleo"!
- Ah... - disseram a minha mãe e a Suzana juntas.
- Linguado que a gente pediu, Bruna - disse meu pai, pacientemente.
- Ah, tá... Brigada, era só isso que eu queria saber...
Depois disso, nós comemos, e, naquele mesmo dia, voltamos para BH de avião. Chegando em casa, eu passei mal - acho, aliás, que nunca passei tão mal na minha vida.
É, parece até que o mal estar foi consequência do mal-entendido... Mas, analisando friamente, acho que foi por causa do marisco mesmo.
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